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sábado, 16 de junho de 2007

Aos 1126 dias

A minha filha começou por manifestar a sua vontade em convidar os seus amigos para vir cá a casa. Depois, foi mais longe: quer ir ao Algarve com eles. E de carro.
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Ser pai inclui saber lidar com a progressiva independência dos filhos, e eu tento estar preparado para os gritinhos de Ipiranga que vão aparecendo aqui e ali.
E querer convidar amigos para casa e ir para o Algarve com eles, não tem nada de mais... para um adolescente, ou, pronto, um pré-adolescente.
Mas o raio da míuda tem 3 anos, catano. Se ela aos 3 anos já quer ir curtir para o Algarve, o que me espera aos 6? O InterRail? E aos 9? Manifestações anti-globalização?

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Aos 1121 dias

Eu num lado, ela no outro, com a bola.
Ela aponta e diz: o pai é do Benfica. E eu...
(Pânico. Num micro-segundo, passa-me pela cabeça que o director da escola é do Sporting. Será que ele se armou em espertinho e lhe ensinou a dizer que é do Sporting? Pior: será que alguma educadora ou mesmo uma mãe ou pai lhe ensinaram a dizer que é do Porto? E se ela disser, o que é que eu faço? Dormir sem jantar? Escondo-lhe os brinquedos? Malas à porta? Sova monumental? Ou simplesmente desato a chorar?)
...também sou do Benfica.
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Alívio. Os fundamentos essenciais a uma boa educação já lá estão. Entranhados.

domingo, 3 de junho de 2007

Aos 1112 dias

A mãe ia para um jantar de galinhas. Para despistar um eventual descontentamento pela ausência da mãe, adiantei logo um programa fabuloso: "Vamos jantar na sala!".
A minha filha alinhou. Fizemos corridas para ver quem é que levava primeiro os guardanapos, o pão, quem é que chegava primeiro ao quarto, lutámos pelo babete, enfim, uma enorme diversão.
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E assim, ela não se queixou da falta da mãe, e eu pude ver o Bélgica-Portugal. Ou melhor, pudemos ver - sim, que ela já disse à mãe, espontaneamente, que gostava de futebol (orgulho do pai...).

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Aos 1111 dias

- Boa tarde.
- OLHA, O PAI. JÁ VISTE O PAI?
- Então, estás a brincar cá fora?
- POIS ESTÁ. HOJE O TEMPO ESTEVE BOM.
- Estás com as mãos tão sujas...
- EU JÁ PEDI PARA TER UMA MANGUEIRA CÁ FORA, PARA OS PAIS OS PODEREM LAVAR ANTES DE IREM PARA CASA.
Nota: hoje foi um dos raros e felizes dias em que pude ir buscar a minha filha à escola. Venho é sempre com os ouvidos a zunir: falar com educadoras no final do dia, é como ficar ao pé de uma coluna num concerto dos Metallica.

terça-feira, 27 de março de 2007

Aos 1044 dias

Tudo começou com uma leve dor no dedo. Dois dias depois estavamos nas urgências, dois dias depois também, e um dia depois idem.
O polegar da minha filha, infectado, parecia um gelado de baunilha e cereja, tanto na cor, como (quase) no tamanho.
Das urgências limpas, calmas, rápidas e simpáticas do SAMS, mas carentes de um cirurgião pediátrico, partimos para o Hospital D. Estefânia.
A minha filha mergulhou num caldeirão multi-étnico, um autêntico anúncio da Benetton dos anos 80, com crianças de todas as cores e feitios. Todas as familias eram compostas por 3 pessoas - criança, mãe e pai - excepto uma: a de um puto cigano que estava acompanhado de mãe, pai, 4 irmãos, 3 tios, 4 tias, 6 primos, 1 prima, 2 avós, 1 tio avô, e dois casais amigos. Assim por baixo, uns 40.
Imbuida de verdadeiro heroísmo, a minha herdeira aguentou-se alegremente durante as 3 horas que lá estivemos, soçobrando apenas quando viu a médica a depenicar-lhe o dedo com uma tesoura, como que descascando uma pêra.
"Vamos para casa", pediu. E lá viemos, com mais uma história com que vamos chatear, daqui a uns 15 anos, os seus amigos que teimem em aparecer na nossa casa.

domingo, 25 de março de 2007

Aos 1043 dias

- Pai, sou uma Pguincesa.
- Pois és.
- E a mãe é uma Gainha.
- Pois é.
- E o pai é...
- Republicano, filha, republicano!